Um Cristo
Um silêncio
Uma alegria perdida
Uma inocência arrancada
E anos e anos
E uma vida de la a cá
Dois emblemas
A luz sobre o silêncio
Cristo ilumina o futuro
Eu choro o passado.
MÚCIO ATAIDE em prosa verso e vivências.
Um Cristo
Um silêncio
Uma alegria perdida
Uma inocência arrancada
E anos e anos
E uma vida de la a cá
Dois emblemas
A luz sobre o silêncio
Cristo ilumina o futuro
Eu choro o passado.
Foram poucos os presentes que dela recebi.
Primeiro presente a mim ofertado: a
vida.
Segundo, o mais completo alimento.
Depois a música e o embalo,
Colo, cuidados, amparo.
Brindou-me com os diamantes mais
raros:
Amor no brilho refulgente
Daqueles olhos verdes-claros.
Em fitas douradas veio o afeto,
Presente bom;
E outro não tão desejado,
Também deu-me o veto.
Entre velas e vivas,
O constante incentivo.
Nos tombos, a mão ampara;
O soprar da ferida:
"Ufa, continua vivo!"
Depois da prova, a comemoração.
O brinquedo de saber viver,
Mimo que sempre tinha à mão.
Constante e acolhedora companhia,
Nos embates do tempo,
Parceria do dia a dia.
Céu e chão,
Força e ânimo,
Pão e lição.
Deu-me, ao final, de presente —
E o levo por aí com muito gosto —
O sorriso de eterna gratidão;
Plantou-o em meu rosto.
E até onde a pupila alcança:
O melhor das lembranças.
Apenas isso.
A saudade tem dois lados
Ora pesa, ora é leve como a pena,
Mas ela é a certeza
De que viver valeu a pena
Prêmio por ter vivido, direito de voltar
Passaporte para o passado, é o troféu.
Viver as mesmas sensações
Abraçar e se vangloriar das emoções
Saudade é um leve tocar no céu
Robson abraçou seu cachorro e ninguém podia imaginar a alegria do reencontro. Aquele tempo separado foi a tristeza maior da sua existência.
Estava arrependido por tê-lo abandonado. E queria uma
nova vida.
Quando
O cão não se
importava não guardava raiva alguma
Não se pode jamais abandonar um amigo.
Vida nova de gente e de cão.
Madrugada insone
Perdido no silêncio
Escorre insegurancas
Da-me um lenço
Vozes que bradam
Profusao de ideias que judia
No sereno o terror
Mente cruel em seu labor
Venha logo dia
Prazeres... de novo na estrada
De poeira, trilhos ou asfaltada
Água, terra e ares desse planeta
A alegria no rosto estampada
Por vales colinas cidades...
Nas estalagens nos bares
Provando outro existir
Eu vou viajando o mundo por aí
Por novos e antigos lugares.
Eu crio algumas crianças, eu as adotei, ou será que foram
elas que me adotaram? Não sei. Elas são meus pensamentos, eu as crio alimento, dou
carinho e atenção, e se me volto para elas ficam momentos, manhosos e então
começam a aprontar. Dali a pouco não tenho mais controle sobre nenhum delas
começam a pular a fazer bagunças e a bagunçar minha vida.
Quebram louças, derrubam quadros, arranham as paredes,
rasgam o sofá e fazem todo estrago.
São assim como crianças peraltas tomando conta da casa,
então já não consigo mais ter nenhum controle. Elas invadem minha noite, se
aboletam da minha cama e ficam me ditando coisas, atormentando minhas ideias.
São incontroláveis.
Correm gritam, teimam, tentam me convencer de coisas
absurdas, dizem que estou doente, que esse ou aquele projeto não vai dar certo.
Pintam cenários catastróficos em seus cadernos de colorir. Sabem como ninguém tocar
o terror aqui dentro.
Um dia ainda vão me destruir. Se eu não ficar esperto
elas derrubam de vem a casa.
Um Cristo Um silêncio Uma alegria perdida Uma inocência arrancada E anos e anos E uma vida de la a cá Dois emblemas A luz sobre o silêncio ...