Eu crio algumas crianças, eu as adotei, ou será que foram
elas que me adotaram? Não sei. Elas são meus pensamentos, eu as crio alimento, dou
carinho e atenção, e se me volto para elas ficam momentos, manhosos e então
começam a aprontar. Dali a pouco não tenho mais controle sobre nenhum delas
começam a pular a fazer bagunças e a bagunçar minha vida.
Quebram louças, derrubam quadros, arranham as paredes,
rasgam o sofá e fazem todo estrago.
São assim como crianças peraltas tomando conta da casa,
então já não consigo mais ter nenhum controle. Elas invadem minha noite, se
aboletam da minha cama e ficam me ditando coisas, atormentando minhas ideias.
São incontroláveis.
Correm gritam, teimam, tentam me convencer de coisas
absurdas, dizem que estou doente, que esse ou aquele projeto não vai dar certo.
Pintam cenários catastróficos em seus cadernos de colorir. Sabem como ninguém tocar
o terror aqui dentro.
Um dia ainda vão me destruir. Se eu não ficar esperto
elas derrubam de vem a casa.