quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

ACABOU NA QUARTA

Pulou o carnaval, cantou, dançou, saiu no bloco, seguiu o trenzinho ultrapassou a cordinha, exibiu-se com o abadá, o hahaha, ou o eô, eô eô,  jogou serpentina, confete, consolou o pierrô apaixonado, pediu um dinheiro aí, bebeu água água água mineral, e muitos líquidos mais, sentiu sabores, o barato, as tonturas, a anestesia do dia a dia, bálsamo louco e desvairado  para abafar as dores, as sensações, os prazeres mil nesse Brasil, a carne pulsante quente suada falou mais alto, prazeres prazeres,  se esbaldou na alegria, rompeu as barreiras, dispensou os conselhos da consciência. Extrapolou e esqueceu a palavra limites.

Mas a quarta-feira chegou, tudo acaba na quarta  e  ela sempre chega. Cinzas pelo chão e as consequências que virão. O corpo responde, regurgita os excessos, se pergunta:  — Por quê? -   E diz não faço mais (até outro carnaval), e volta à dureza trabalho e luta, labuta e ferro.  A alma se encolhe, o arrependimento brada lá de dentro.  

Consequência maior ainda está por vir.

Não é à toa que dizem que novembro/dezembro  são o meses em  que mais nascem  crianças no Brasil.

Faça as contas... 

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